"Quem não cuida de si, que é terra, … erra." Esses são versos de Gregório de Matos, no poema Mortal Loucura, que também foi musicado por Wisnik, cantado por Mônica Salmaso e Bethânia. Pego emprestado para começar essa apresentação de um projeto-de-vida. Chamo projeto, por enquanto, falta-me palavra mais poética, uma que acessa e realiza um desejo profundo de cuidar da terra, verbo que impera no centro desse verso. Cuida. Também gíria fortalezense que provoca ação. E aqui estou no imperativo da ação cuidar de terra. E isso se concretiza pela Agroecologia, pelo Cinema, pelo zelo de uma relação doce e firme com Oskar.

A existência da Terra é de 4,5 bilhões de anos atrás, e a vida (organismos) veio com 3,8 bilhões. "E depois toda forma de vida exige que já haja vida no mundo". Emanuelle Coccia, em A vida das plantas, que ensina como a soberania das plantas é inspiração que desenvolve um desejo de adesão ao Sistema Terra, não como a Teoria de Gaia, que sugere um equilíbrio comovente e irreal, mas como fala Ailton Krenak "precisamos cuidar do mundo porque ele frágil e podemos destruí-lo, mas também, e ao mesmo tempo, precisamos ter cuidado com o mundo porque ele é perigoso e pode se vingar das nossas ações."

Partindo desse entendimento sútil de que a vida na Terra depende da convivialidade com a natureza (ser natureza) e em busca de um caminho que venha honesto, justo, parcimonioso, transparente e ainda, sem subjugar a terra, as vidas, aquilo que é nativo, animais, plantas, criaturas, ciência, outros saberes não institucionalizados... fazendo frente e parede ao aquecimento global, catástrofe climática, desmatamento, ao neo-liberalismo, as fronteiras, a colonização, a poluição, e também ao homem, quando ele passa ser o principal vetor de mudanças biogeoquímicas no planeta: o Antropoceno, era geológica que tem início no capital, no domínio do fogo, no uso do carvão, e que marca uma ruptura com as condições que até agora permitiram a ascensão da vida humana. 

No nosso caso, O RESGATE CLIMÁTICO FEITO À MÃO, o agir, de Oskar e meu, é um projeto-de-vida, o que nos veio como ideia é parte de um entendimento de autonomia e comprometimento com a terra, a soberania alimentar e política, a partir de uma agricultura socialmente justa, que questiona as lógicas de poder, o uso de veneno, a monocultura, os transgênicos, o consumo gourmetizado de orgânicos, a poluição das fontes de água. E que conta com a ajuda de financiamento de dinheiro europeu. Nosso norte está em reflorestar 10 hectares de Mata Atlântica e quem sabe influenciar possibilidades de futuro. 






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