"Quem não cuida de si, que é terra, erra." Esses são versos de Gregório de Matos, no poema Mortal Loucura. Pego emprestado para começar essa apresentação de um desejo profundo de mexer com terra, cuidar da terra, verbo que impera no centro desse verso: Cuida. Também gíria fortalezense que provoca ação. Cuida! Faz! E aqui estou no imperativo da ação cuidar de terra. E isso se concretiza pela Agroecologia, pelo Cinema, pelo zelo de uma relação doce e firme com Oskar.

A existência da Terra é de 4,5 bilhões de anos atrás, e a vida (organismos) veio com 3,8 bilhões. "E depois toda forma de vida exige que já haja vida no mundo". Emanuelle Coccia, em A vida das plantas, que ensina como a soberania das plantas é inspiração que desenvolve um desejo de adesão ao Sistema Terra, não como a Teoria de Gaia, que sugere um equilíbrio comovente e irreal, mas como fala Ailton Krenak "precisamos cuidar do mundo porque ele frágil e podemos destruí-lo, mas também, e ao mesmo tempo, precisamos ter cuidado com o mundo porque ele é perigoso e pode se vingar das nossas ações."

Partindo desse entendimento sutil de que a vida na Terra depende da convivialidade com a natureza (ser natureza) e em busca de um caminho que venha honesto, justo, parcimonioso, transparente e ainda, sem subjugar a terra, as vidas, todas elas, aquilo que é nativo, animais, plantas, criaturas, ciência, outros saberes não institucionalizados, e fazendo frente e parede ao aquecimento global, catástrofe climática, desmatamento, ao neo-liberalismo, ao genocídio, as fronteiras, a poluição... Fizemos existir o Resgate Climático Feito à Mão. 

O RESGATE CLIMÁTICO FEITO À MÃO é parte de um entendimento de autonomia e comprometimento com a terra, o reflorestamento, a soberania alimentar e política, a partir de uma agricultura socialmente justa, que questiona as lógicas de poder, o uso de veneno, a monocultura, os transgênicos, o consumo gourmetizado de orgânicos, a poluição das fontes de água. Conta com a ajuda coletiva de financiamento de dinheiro europeu. O que chamamos de Restituição. Nosso norte está em reflorestar 10 hectares de Mata Atlântica e quem sabe ter possibilidades de futuros.






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